Sobre polêmica nos ‘prédios históricos’ do Centro de Lages

Sobre polêmica nos ‘prédios históricos’ do Centro de Lages

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Colegas Olivete Salmória e Milton Barão estão repercutindo a questão da determinação de suspensão das obras no prédio Dr. Acácio – aquele verdinho situado bem na esquina do Calçadão com a Coronel Córdova. De um lado a jornalista traz as informações da Seplan e do outro Barão pondera sobre a estranha insistência do poder público em interferir na iniciativa privada. A gente evitou entrar no debate por causa dos bastidores e interferências que envolvem a questão.


ASSIM

Há um grupo que quer ‘preservar a cidade’ sem se dar conta que cada pedacinho dela tem dono. Aquela casa velha ou nova tem um proprietário, aquele predinho ali é de outro dono e assim por diante. E a escritura do imóvel que atesta isso. E antes de haver esse atravessamento é preciso respeitar a coisa mais sagrada que existe que é a propriedade. Se o imóvel não está tombado (e portanto não é intocável), o dono pode fazer o que quiser. Claro que precisa se submeter a algumas normas para fazer reforma ou até demolir, mas apenas do ponto de vista de executar sem colocar transeuntes em risco.


MAS

Pensar que esta ou aquela autoridade – em não havendo tombamento – pode impedir que se dê a destinação que se pretende num imóvel beira o absurdo. O dono do imóvel pode e deve fazer o que bem entender. E pronto. Se é histórico, se tem relevância turística, cabe ao dono decidir se quer restaurar ou alterar as características. Não comparando, essa situação parece o cidadão que defende o controle de natalidade só porque já nasceu. Ou seja, defende-se a preservação porque não se é dono do imóvel.


E DIGO MAIS…

Quem tem imóvel que pode ser alvo de tombamento que se antecipe. Faça igual ao proprietário daquela casa ao lado do Edifício Classic na Rua Correia Pinto: coloque no chão. Do contrário daqui a pouco vem um decreto, uma lei e engessa a propriedade privada, tornando-a improdutiva. Porque se o poder público quer preservar pague ao proprietário para isso. O dono desses pedacinhos da cidade, conforme reza a escritura imobiliária, é você. A menos que uma lei, uma norma disciplinadora diga ao contrário!

Aristilianuz

O ‘predinho da discórdia’ é esse situado à esquerda e abaixo no registro aéreo que fizemos. E bem do outro lado da praça tem o exemplo dessa vontade de preservar edificações que se tornou um pombal abandonado, em ruínas e símbolo da falsa de bom senso!

1 Comentario

  1. Quanta ignorância.. Revitalizar o centro, como você mesma disse que é preciso, envolve valorizar a arquitetura histórica de Lages, e utilizar do conjunto de patrimônio histórico como instrumento de movimentação econômica através do turismo. É uma tendência GLOBAL. É NECESSÁRIO e inteligente preservar o patrimônio histórico. Acho incrível como o brasileiro em geral acha maravilhoso, quando vai à europa, os centros históricos preservados e preenchidos de vida urbana, gerando renda para a cidade, mas não são capazes de enxergar essa possibilidade em seu país e suas cidades. É difícil sim tornar a preservação do patrimônio um negócio rentável e interessante para o proprietário, mas a posse de um pedacinho da cidade, como disse Varela, não dá o direito NÃO de fazer com ele o que bem entender. É justamente o fato de ser um pedaço da cidade que faz do tema um assunto público, pois a cidade é de todos e o direito à cidade também. O seu terreno e a sua arquitetura interfere na vida das pessoas. Esse excesso de individualismo é um dos motivos que faz das nossas cidades espaços desagradáveis e sem qualidade espacial. Vocês que não entendem de produção do espaço urbano, deixem este assunto para os profissionais.

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