Super drone faz pesquisa internacional na Serra

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Você já pensou em um equipamento capaz de enxergar além das vegetações, as superfícies do solo e ajudar a desvendar nosso passado? Pois ele existe. Trata-se de um Super Drone com quase quatro metros de asa e um aparelho com sensor muito potente, que chegou a Santa Catarina para uma pesquisa arqueológica que pode até mudar parte da história do Estado e do Sul do Brasil.


HÁ MAIS DE 1.500 ANOS

Essa é a segunda vez que o equipamento será usado no Brasil. Com ele, os pesquisadores pretendem descobrir a verdadeira história e compreender como viviam os povos antes mesmo de Colombo chegar ao Brasil. Ousadia? Não é o que eles pensam! Há pouco mais de uma semana em solo catarinense, já descobriram que nossas terras eram habitadas há mais de 1.500 anos.


PARCERIA INTERNACIONAL

A pesquisa, que começou a ser desenvolvida na Serra Catarinense e deve chegar a outros municípios, seguindo até o estado vizinho, Rio Grande do Sul e divisa com Argentina, faz parte de um projeto maior, chamado Paisagens-Jê do Sul, financiado pelo Conselho de Investigação das Humanidades do Reino Unido (AHRC) e Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e coordenado pelos professores de Arqueologia da Universidade de Exeter (Inglaterra), o uruguaio José Iriarte, e pelo brasileiro Paulo DeBlasis, da Universidade de São Paulo.


ALGUNS DADOS

A pesquisa vem comprovando a existência de povos na região desde os anos 400 D. C. Os vestígios dessa cultura estão sendo encontrados desde a divisa de São Paulo, passando por Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, principalmente nas regiões de planalto. Em Santa Catarina, a região da serra está sendo pesquisada por ser uma área rica para a arqueologia. De acordo com os pesquisadores, já foram localizados 55 sítios arqueológicos e cerca de 30 deles escavados, o que permitiu descobrir sítios que vão do Século V até o Século  XVII, com informações arqueológicas muito preservadas.


SUPER DRONE

Criado pela parceria entre a Universidade de Exeter, INPE e XMOBOTS, o Super Drone, uma espécie de avião, conta com um sensor Chamado LIDAR, tem 25 quilos e quase quatro metros de asa. O avião chega a atingir 110 km por hora, voa a 300 metros de altura e pode ir até 90 km da base de onde decolar, o que facilita as pesquisas. Neste formato, o LIDAR pode se lançar em pistas pequenas, de até 100 metros de comprimento, a exemplo da que foi construída na Fazenda da Vinícola Abreu Garcia, em Campo Belo do Sul.

O equipamento foi criado para fazer a reprodução tridimensional da paisagem de toda a área a ser pesquisada, com resolução espacial de até 1 cm, que permite fazer a topografia dos bosques e calcular até a biomassa com muita precisão.


IMPACTO NA HISTÓRIA

E NA ECONOMIA

Essa pesquisa pode mudar o que se estudou até aqui nos livros de história e geografia. Isso porque os resultados da pesquisa mostram mudanças no que se pensava. Um exemplo é de que sempre se estudou que os antepassados da região pesquisada eram caçadores coletores, que não cultivavam nem plantavam. Os resultados da pesquisa apontam para outro rumo. As marcações no solo, a presença de restos de plantações, mostram que eles viviam em locais permanentes, mais planificados, construíam coisas nesses lugares e cultivavam o solo.

Isso foi possível descobrir pela análise dos materiais arqueológicos como cerâmicas, onde encontraram resíduos de milho, mandioca, abóbora e feijão, além do pinhão. Acredita-se, inclusive, que a natureza não foi a única responsável pela expansão da araucária, mas que a espécie foi replantada pelo homem. De acordo com as pesquisas, esses povos, conhecidos como proto-Jê, são os antepassados dos atuais índios Kaingang e Xokleng.


Informações: Jornalista Paulo Scarduelli

Imagens: Renato Pinheiro

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2 COMENTÁRIOS

  1. aham.. sítios arqueológicos… isso está mais com cara de mapeamento militar; Duvido que não tenha um segundo objetivo por trás disso.

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