São Joaquim: Tudo muito lindo e quase deserto

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Jornalista Adecir Moraes produz reportagem para o Correio Lageano sobre a revitalização de São Joaquim. No conteúdo prevalece os pontos absolutamente positivos (e inquestionáveis porque eles existem). Há também no texto dois relatos do esvaziamento de estabelecimentos comerciais por causa do projeto.


PODE SER QUE NO FUTURO

SEJA BOM, MAS ATUALMENTE…

Nesta sexta-feira, 14 horas, será inaugurada essa revitalização da área central de São Joaquim. Os modernistas, profissionais da área de turismo devem comemorar: ficou tudo lindo. Isso é absolutamente verdadeiro. Entretanto, a revitalização da área central, dando um aspecto estrutural de Gramado/RS, causou certo esvaziamento em algumas ruas.


EXEMPLO PRÁTICO

Trecho entre o Banco do Brasil e a Escadaria da Rua Major Jacinto Goulart, por exemplo, tornou-se inviável ao comércio. Não porque tenha ficado feio, mas porque não tem consumidor. O fluxo de pessoas desapareceu. Desde a conclusão da revitalização com canteiros enormes (bonitos, é verdade) e apenas uma pista de rolamento em mão única para carros pequenos, os estabelecimentos comerciais (lojas, salão de beleza, café) fecharam as portas. Se não tem consumidor, não tem movimento e daí…

As duas imagens acima são da parte entre a Praça Cezário Amarante e a Igreja Matriz. Mas igualmente houve redução no movimento, com deslocamento do fluxo de consumidores para as vias paralelas.


MODERNO E LIMITADO

Atente-se que não se trata de criticar as obras porque deixaram o Centro de São Joaquim bem charmoso e moderno. Porém, as limitações impostas (estacionamento principalmente) deixaram as vias bem vazias. Quem sabe com o tempo muda. Mas já se vai mais de um ano e os pontos comerciais que eram concorridíssimos ou fecharam ou andam meio taperas. Talvez se tivesse alguém de São Joaquim com voz no Governo do Estado, não se teria executado uma mudança tão extrema a ponto de causar, por enquanto, prejuízos, ao invés de retorno econômico.



‘QUE VÃO PROS INFERNOS’

Indagamos a um dos proprietários de área locada onde funcionavam estabelecimentos comerciais no trecho revitalizado se iria bater palmas para a secretária Solange Pagani, que é  a voz do Governo do Estado em São Joaquim na inauguração de sexta e a resposta foi curta:

– Que vão pros infernos!



ESSA SITUAÇÃO DE SÃO JOAQUIM

DEIXA LAGES EM ALERTA

(OU DEVERIA DEIXAR)

Lages passará por uma revitalização (já está atrasada, inclusive). Mas o projeto precisa agregar, trazer mais consumidor, acolher as pessoas e não se tornar um local de desinteresse do público, como se evidencia nas ruas revitalizadas em São Joaquim. Já que tudo é feito baseado em estudos, a gente indaga: Foi estudado que os pontos comerciais de São Joaquim seriam fechados por falta de consumidor a partir da revitalização? E para quem vai a conta do prejuízo causado pela queda no movimento de estabelecimentos (Reportagem do Correio Lageano apontou queda de 40%) e até fechamento de estabelecimentos?

Aqui está o prospecto do projeto de Lages (Rua Nereu Ramos) que, ao contrário de São Joaquim, já  houve intervenção para preservar mais espaços de estacionamento, até para evitar o esvaziamento que vem ocorrendo no comércio joaquinense

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1 COMENTÁRIO

  1. É claro que o embate entre o tradicional e o moderno traz algumas constatações a nivel de circulação, planejamento e o que o comércio espera de uma revitalização. Um centro de cidade normal como Lages, sem uma estrutura mais planejada cria todo um movimento aleatório das pessoas no centro e aglomerações em áreas de interesse como nos bares, calçadões, lanchonetes e nas praças tradicionais. Uma revitalização subentende uma organização dos espaços de convívio e esta organização gera uma falta de movimento e limitação das atividades normais de um centro, por isso não estranho que a área revitalizada seja bela ao olhar mas afasta o burburinho e a muvuca tradicional de um centro velho.

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