Emergência Lages: “Sem pagamento, vamos parar”

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Como se isso fosse possível, a sugestão é para você não precisar de emergência hospitalar em Lages nas próximas semanas. A única existente na cidade corre risco real de ficar sem médicos para atendimento. E a razão é de ordem burocrática, mas que afeta a vida desses profissionais.

 

Segundo relato dos médicos, aqueles que fazem sobreaviso ou plantão na emergência estão sem receber a parte do convênio do Governo do Estado desde janeiro. São seis meses sem que um único centavo seja recebido por cada médico. O valor representa 32% daquilo que recebem.


PARALISAÇÃO PREVISTA

Por conta dessa realidade que os médicos consideram insustentável, a corda poderá arrebentar no lado mais fraco: a população. Os médicos devem ir ao Ministério Público relatar a realidade e informar que, em persistindo a situação, ocorrerá paralisação. Temos conversado com alguns médicos sobre o assunto. Um deles nos falou o seguinte:

“Estamos indo na quarta-feira, 05, para uma reunião e, dependendo da informação do Governo do Estado, vamos parar. Faremos uma assembleia, mas já antecipo que a ideia é parar porque tão importante quanto a remuneração é o respeito. E nesse caso estão faltando as duas coisas com os profissionais”.


MÉDICO ENVIA MENSAGEM

APONTANDO O SEGUINTE

“Gostaria de informar que o Estado de Santa Catarina recorreu da decisão no TRT/SC usando a justificativa que falta prestação de contas por parte do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres. Entretanto, dia 27 de junho o próprio Governo do Estado emitiu documento afirmando que o HNSP nada deve em termos de prestação de contas. O Sindicato dos Médicos (SC) entrou com nova liminar para tentar derrubar o recurso do Estado, mostrando novamente está documentação de que nada deve em termos de documentação. O que falta é o tal fio do bigode! O que sobra é a falta de consideração aos profissionais que estão agora há seis meses com retenção de 32% de seus vencimentos pela falta de pagamento pelo Estado do convênio para manutenção da emergência“.



ESTADO APONTA FALTA

DE PRESTAÇÃO DE CONTAS

Um documento que tivemos acesso aponta que o não repasse do Governo do Estado está relacionado à falta de prestação de contas do convênio pelo Hospital Nossa Senhora dos Prazeres. Inclusive a prestação de contas do convênio que gerou o bloqueio de repasses (6.ª parcela de dezembro) teria sido enviado por AR – Aviso de Recebimento pelo Correio. E, por conta do envio, o hospital estaria informando que está regular. “Mas prestação de contas enviada não significa aprovada”. É a ponderação que recebemos.

De acordo com esse documento, datado da quinta-feira da semana passada, dia 29, o hospital Nossa Senhora dos Prazeres estaria bloqueado no sistema. E essa seria a razão do não repasse dos valores que os médicos que já trabalharam desde janeiro têm direito.



OBSERVE QUE…

A relação do convênio é entre Estado e Hospital Nossa Senhora dos Prazeres. E não entre Governo do Estado e médicos. Mas enquanto a burocracia barra a liberação da parcela do convênio, o Estado não repassa ao hospital que, por consequência, não paga os médicos. Em outro documento, o Estado informa o quanto de valores já repassou ao Nossa Senhora dos Prazeres nos últimos cinco anos.

Naturalmente que R$ 10 milhões já repassados se constituem numa soma expressiva, mas o que ‘está pegando agora’ é o pagamento de médicos de sobreaviso e plantão na emergência que pode fechar as portas se a inadimplência com os profissionais se manter.

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