Miséria na Serra: Sem mudanças na década

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Desconheço o método da pesquisa realizada pela Amures sobre o índice de miserabilidade na Serra Catarinense. Mas os dados são praticamente os mesmos do início da década: a região possui 20 mil famílias em condições de pobreza. Esse número se refere àqueles que vivem com menos de meio salário mínimo por mês (R$ 468,50).

MISERÁVEIS 

Pelo levantamento do Amures o número de pobres e extremamente pobres chega a 13.000 famílias. Uma população estimada em pelo menos 30.000 pessoas. Essas viveriam com renda inferior a R$ 170,00 mensais (pobres) ou a metade disso, no caso das famílias extremamente pobres.

ONDE ESTÃO?

O estudo da Amures não aponta qual o ‘cinturão da miséria’ na Serra. Se os mais pobres se concentram em Lages ou em áreas periféricas dos pequenos municípios da região. A dúvida agora é saber que tipo de ação a Amures vai adotar em termos de política pública para combater essa realidade.

A Amures, entidade que engloba os 18 municípios da Serra (e que fica nessa rua do registro acima) com dados preocupantes da região. As informações inclusive constam de reportagem no G1 Santa Catarina

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3 COMENTÁRIOS

  1. Uma das coisas que me chama a atenção em Lages é a quantidade de pessoas caminhando na região central da cidade em pleno horário comercial. Jovens, homens e mulheres de todas as idades, que parecem não estar empregados, pois se estivessem, estariam em seus locais de trabalho. Torço que nossa cidade saia destas estatísticas negativas de uma vez por todas. Pensamento positivo sempre. Quem venham novas empresas e que a cidade opte por um setor da indústria e despeje todas suas fichas neste atrativo. O turismo está começando desvendar novas formas de geração de empregos, então, bora trabalhar incansavelmente para o progresso da nossa querida Lages.

  2. Adailton reconheço esse seu otimismo salutar para a retomada de uma nova visão econômica para Lages, mas é claro que nossas aspirações ficam no campo só do otimismo, fiz um comentário mais pesado sobre nossos empresários e os responsáveis por nosso atraso cultural e econômico, a culpa deste atraso e uma miséria secular é só nosso e de ninguém mais, ao mesmo tempo que não levamos a sério nossas potencialidades pagamos os piores salários do Estado e é claro que se não houver ajuda estatal as qualificações não acontecem, a pobreza da região se torna um dom, pois com ela podemos pagar baixos salários e aumentar de sobremaneira o poder de políticos e das famílias influentes em uma população miserável que pode ser manipulada ao bel prazer, isso é o principal motivo da pobreza na serra, sabemos os motivos, mas omissos, deixamos para Deus resolver.

  3. A análise da miséria na serra é algo extremamente complexo a ser analisado, seja pelo ponto de vista histórico, sociológico, filosófico, ou do ponto de vista político (de políticas públicas como você sugeriu à AMURES).
    Conforme for sua origem (histórica, religiosa, filosófica, política) você terá uma ponto de vista para explicar a miséria. Talvez as respostas mais congruentes digam: exploração, ganância, escravidão, colonialismos e outras práticas de imoralidades contra a sociedade.
    A pobreza (infelizmente) é uma condição natural do homem no meio em que vive e suas causas são bem simples: não produzem bens e serviços porque não sabem; sabem, mas são impedidos de produzir; sabem, mas não querem produzir.
    A diferença do homem está na produção, seja por ser a mão empregadora (usando inteligência) ou por ser a mão empregada (usando força produtora). Portanto, o mais difícil não é saber por que somos pobres miseráveis, mas sim porque somos ricos, este é o mistério.
    Vejamos alguns exemplos antes de prosseguir (bem sinteticamente). Alguns dizem que os EUA são ricos por terem recursos naturais. Se assim fosse África e América do Sul seriam os mais ricos continentes. Mais ainda, se assim fosse Japão e Grã-Bretanha seriam miseráveis.
    Alguns consideram (principalmente nós brasileiros) que o colonialismo é uma das razões de nossa pobreza, de sermos países de terceiro mundo, porque fomos explorados em nossa riqueza pelos nossos colonizadores. Ocorre que EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia também foram colonizados e ainda assim estão entre os mais ricos países. De outro aspecto, Etiópia, Libéria, Tibete e Nepal nunca foram colônias, e estão dentre os mais pobres e atrasados do mundo.
    Não há dúvida que a riqueza de determinado lugar está incorporada em seus cidadãos. Maiores exemplos disso são Alemanha e Japão que durante a segunda guerra tiveram seu capital físico do país quase que totalmente destruído. Já o capital humano que restou levou três décadas para se reconstruir e levar seus países ao patamar que chegaram. Por exemplo, a Alemanha resolveu construir fusquinhas e depois vendê-los ao mundo e aí passou a vender também Mercedez-Benz e Audi. O Japão, por conta da guerra, precisou desenvolver radiotransmissores e antenas para se comunicar, depois resolveu se aperfeiçoar fazendo aparelhos de rádio para as casas, e depois TV, e depois computadores e depois todos os componentes eletrônicos que existem nas casas do mundo todo (Canon, Casio, Fuji, Sony, Toshiba, JVC, Mitsubishi, Nintendo, Samsumg, Panasonic, Honda, Yamaha e tantas outras que conhecemos).
    Na verdade, o problema não está em estudarmos a pobreza. Ela naturalmente existe. A questão está em desvendarmos a riqueza, como produzi-la.
    Só para sermos regionais, ficamos brigando para que as grandes empresas do mundo venham e se instalem aqui e gerem empregos para nós. Mas temos belíssimos exemplos em Lages de como se produzir riqueza e geram emprego. A Minusa há muito tempo vende componentes para tratores de marcas internacionais. A GTS passou a fabricar peças prontas para o campo. A Zanoello vende troféus e medalhas para o mundo todo. Tudo feito em Lages, com o capital humano de nossa gente formando riqueza. Pequenos exemplos que demonstram que as grandes empresas (no mundo e aqui) nascem da aventura das pessoas.
    É a junção desse capital humano com as disponibilidades locais que faz de nossos pequenos (grandes) ideais, grandes empreendimentos.
    Falta isso. Enquanto esperamos as grandes empresas aqui se instalarem, nossos grandes ideais não passam de pequenos sonhos.
    E agora, por fim, voltemos aos nossos questionamentos antes formulados: Somos miseráveis porque não sabemos produzir bens e serviços; sabemos, mas somos impedidos de produzir; ou sabemos, mas não queremos produzir?
    Com certeza todos tem as respostas, e o que necessário para que aquilo que veio como resposta a nossa cabeça se concretize. Claro que há muitos aprofundamentos (principalmente sociais), mas superficialmente é o começo da discussão.

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