Finados em Lages: A exclusão dos excluídos

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Perdoem-nos a tolerância e a discordância daqueles que cumprem regras. Mas ninguém deixa sua residência e vai para as proximidades de um cemitério no Dia de Finados, vender água, balas, pipoca ou até um churrasquinho porque acha isso divertido. O faz porque precisa. Vê na multidão que cumpre o doloroso ritual de visitar o ente querido, uma oportunidade de ganhar uns trocados. É gente que está no comércio informal não por opção, mas por necessidade. São em sua ampla maioria aqui mesmo da paróquia.

DAÍ…

Aquele mesmo braço do poder público que não disciplina o vendedor ambulante que fixa a barraca, o tapete, o varal na área central, resolve limitar a atuação de ambulantes, bem como aquilo que podem vender: somente velas e flores. Nada mais.

APENAS VINTE

E como a moda é processo seletivo, apenas 20 deles, sendo 10 na Penha e 10 no Cruz das Almas poderão atuar, a partir de uma triagem prévia. Como escrevemos, perdoem a tolerância, mas teria coisa mais complexa para a prefeitura disciplinar que esse comércio informal que existe desde os tempos idos. É a marcha da exclusão dos excluídos em tempos de lembrar, rezar e reverenciar os mortos.

Nas imediações do cemitério da Penha, apenas 10 ambulantes poderão vender apenas flores e velas. Nada de água, balas ou produtos do gênero. Imagem de santo, rosário ou coisa que o valha, nem pensar!


SECRETÁRIO MECABÔ DECRETA

“Os ambulantes (apenas 20), devidamente cadastrados, poderão vender somente no lado de fora dos cemitérios e quem transgredir as regras poderá ter a autorização cassada. Além disso, quem estiver sem autorização será retirado do local”.

A intenção pode ser das melhores possíveis ao disciplinar o que vender e limitar a apenas 10 ambulantes nas imediações dos cemitérios públicos. Mas o secretário Mecabô poderia perceber que quem está nessa peleia, o faz por necessidade!

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