Cotidiano

Estiagem: O ‘fundo da grota’ no Pelotas

Quando netos e netos dos netos lá no início do próximo século – tipo no ano 2105 – estiverem lendo Além do Continente das Lajens – que resgata e conta história e fatos destes tempos (inclusive leitura numa lente nos olhos sem precisar folhar com a tecnologia que existirá mais adiante), eles irão se admirar das coisas dos dias de agora.

LÁ NUM CANTINHO DA HISTÓRIA…

Além de ler um relato minucioso que o advogado João Carlos Matias está copilando sobre como lageanos e serranos enfrentaram a gripe chinesa (Covid-19), haverá num espaço destaque a uma das maiores estiagens que a Serra Catarinense enfrentou. Inclusive um trecho quase assim:

– Enquanto o noticiário se debruçava na pandemia, o céu não mais escurecia para dele descarregar nuvens, por mais de meio ano. Os reflexos faziam parecer que estas paragens eram um pedaço do semi-árido (e atual deserto) nordestino brasileiro. Onde havia córrego, a vegetação brotava sem nenhuma gota d’água, deixando em vista as ribanceiras barrentas, sedentas pelo líquido que se tornou coisa rara naqueles tempos de 2020.

IMAGENS ILUSTRATIVAS

O relato seguiria na seguinte linha:

– E nada mais exemplifica a falta de chuva naqueles tempos que um Rio Pelotas raso, quase sem vasão para abastecer as hidrelétricas. Embora naquela época ainda não existisse a Usina Paiquerê, até mesmo essa gigante, teria sucumbido à redução da produção de energia devido à secura do rio. 

As pontes levadas pelas águas em 1965 (há 55 anos no calendário de agora) ficaram a vista com a ausência de água

As estruturas em concreto que não resistiram à força da correnteza naquele 1965 de muita chuva, agora expostas numa evidência de estiagem

Aqui o contraste da nova ponte e o sinal perceptível de até onde a água chega na estrutura e que agora está apenas no raso

Presença do Capitão Donizete numa das estruturas dá ideia do tamanho das mesmas que permanecem no fundo do rio e que por causa da falta de chuva estão assim, expostas!

Olha as crianças verificando uma paisagem absolutamente anormal por causa da falta de chuva

Observe que o volume de água é tão pequeno que seria possível atravessar o Pelotão a pé

HISTÓRIA DA OPERAÇÃO

PASSO DO SOCORRO

A seca tem revelado cenários históricos na nossa região, um deles, é o surgimento das pontes que caíram em 18 de agosto de 1965, na divisa de SC e RS. Esse evento, levou o Exército Brasileiro a realizar a maior Operação de Engenharia, em tempos de paz. Foi a Operação Passo do Socorro, que envolveu seis Batalhões de Engenharia, na montagem de pontes, para restabelecer o tráfego.

Essa história foi resgatada no ano de 2015, por ocasião dos 50 anos do acontecimento. Os escombros no leito do Rio Pelotas, são das duas pontes que existiam até agosto de 1965. A mais antiga, foi construída em 1935, com a participação do 3.º Batalhão Rodoviário (atual 9.º BEC – Cuiabá, MT), que à época era sediado em Vacaria, RS. Com a construção da Rodovia BR 116 e aumento do tráfego de veículos, viu-se a necessidade de fazer uma nova ponte. Então, em 1962, foi entregue ao tráfego a Ponte Engº Antônio Alves de Noronha, nome dedicado ao seu Projetista Engº Noronha.

A construção coube ao 2.º Batalhão Rodoviário, de Lages, SC, (atual 8.º BEC – Santarém, PA), sendo erguida acima da cota máxima das cheias registradas na região. Então em 18 de agosto de 1965, as duas pontes não suportaram a força das águas e o volume dos escombros que desciam de montante do Rio Pelotas. Cerca de 15 quilômetros a montante, estava sendo construída a Ponte Ferroviário Sobre o Rio Pelotas, obra integrante da Ferrovia do Tronco Principal Sul.

Parte do material empregado na construção dessa ponte, também desceu rio abaixo, sendo represado, juntamente com troncos de araucária, galhos, etc, na ponte velha que ruiu, e, num efeito cascata, derrubou a ponte Engº Noronha. Após isso, o Rio Grande do Sul filho isolado do resto do país, cabendo ao Exército Brasileiro, por intermédio de sua Engenharia de Construção, restabelecer essa ligação com a maior brevidade possível.

Fonte das fotos e história:

https://www.facebook.com/batalhao.ferroviario.96

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2 comentários para: “Estiagem: O ‘fundo da grota’ no Pelotas”

  1. Parabéns pelo resgate histórico que vem fazendo o diligente Dr. João Matias. Sou um grande admirador da sua pessoa.

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