Cotidiano

Rio Carahá e a teoria do ‘errar é lageano’

Lages é tomada pelo especialismo.

Em qualquer ação, independente da área, surgem os mega especialistas opinando, discordando, contestando, oposicionando-se. Com o advento das redes sociais isso virou uma desgraça. Mais pela birra, a contrariedade, a discordância que para contribuir com o coletivo.

ASSIM

Donde hay gobierno soy contra.

Seja o atual, aquele do passado ou o exterminador do futuro. Não importa o prefeito e nem o setor: trânsito, obra, caridade. Nem doação de salário escapa dos especialistas da esmola alheia. E nós, os mesmos que leem e escrevem o cotidiano da paróquia, damos ressonância aos entendedores do universo, ora concordando, ora reverberando o que pensam aqueles que ‘sabem tudo’.

EXEMPLO CRISTALINO

Foram toneladas de opiniões, contrariedades, discordâncias e até questionamento de valores naquela providência de desassorear o rio Carahá. ‘Especialistas’ apontavam que causaria erosão nas encostas do rio. Outros reclamaram do trânsito. Alguns questionaram o tipo de vegetação jogada pelo Tchá Tchá depois do falquejamento da margem do riacho.

MAIS ATAQUES

Houve quem falasse em crime ambiental e os mais apelativos falaram que se descaracterizava esse patrimônio de Lages, o nosso riacho ipiranga. Até formados na área atacaram esbravejando a providência do Paço. Faltara planejamento. O trabalho não considerou a fase da lua. Estava sendo feito em dia par e não em dia ímpar. A máquina ficava contra o sol e isso poderia dar azar, desagradando os deuses dos peixes que dão nome ao rio.

E ERA BEM SIMPLES

Tudo que se pensou no Paço, a partir de um raciocínio simples e lógico, é que se a caixa do rio desse maior vazão para a água das chuvas intensas, hipótese de transbordamento seria menor. Poderia (como poderá) até ocorrer inundações. Mas haveria retardamento, reduzindo transtornos cada vez que chove e a água vai além da goela do Carahá.

Rio desassoreado, margens com replantio de gramíneas e nada de transbordamento. Pode não ser uma solução definitiva, mas amenizou muito o problema com o desassoreamento executado

Secretário Jean Felipe numa defesa civil menos preocupada com fotinhos e mais com a postura, feito cão de guarda, pastoreado as águas para que a chuvarada não venha se metendo à besta

‘SILÊNCIO DOS INOCENTES’

Já havia se registrado excesso de chuva anteriormente. Nesta virada de quinta para sexta-feira tivemos 72 mm de precipitação pluviométrica. Quantidade 1/3 do que cai num mês inteiro. E o rio Carahá se comportou como num gesto a mostrar a ignorância dos ignorantes que ignoraram que o aumento da caixa do rio, a partir do desassoreamento, amenizaria transbordamentos, como ocorreu. Os ‘inocentes’ atacantes da providência silenciaram no estilo ‘errar é lageano’.

Esta foi a providência adotada para aumentar a caixa do rio e garantir maior vazão de água. Mas o trabalho recebeu pedradas e baldes d’água fria de um exército de contrariados

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