Evento

O risco político para a Festa do Pinhão

A Festa do Pinhão corre apenas dois riscos.

E um está ligado a outro. O primeiro risco é dela não encontrar empresa privada interessada em realizá-la nos moldes atuais, a partir de licitação. O segundo risco é voltar a ser executada pela Prefeitura de Lages. O poder público tocando o evento seria o prenúncio para que a festa deixe de acontecer a cada ano e até se torne esporádica, como já ocorreu com a Festa da Maçã, por exemplo.

OCORRE QUE…

Não tem milagre. Na envergadura atual, a Prefeitura de Lages não tocaria uma edição aportando menos de R$ 10 milhões. E com torneiras fechadas de apoio institucional (Governo do Estado e Federal) e com os recursos cada vez mais pingados no Paço, a festa não se sustentaria. Seria repensada sua realização. Assim, ou a iniciativa privada (e pode ser Gaby, GDO ou qualquer outra empresa) toca ou a festa murcha.

‘ORIGENS’

Há pregação de fazer a festa voltar às origens. Discurso para ganhar palanque e bater na atual gestão (no grupo de Ceron que não foi o responsável pelo atual modelo já que a licitação foi feita na gestão de Elizeu). Ouvinte ligou na Rádio Clube dizendo que deveria voltar a gineteada. Ano passado voltou, mas o público foi pífio. Não se cobra a gineteada para ir na festa, mas para ter discurso contra o atual modelo. Cobram-se os bailes na Casa da Tradição. Mas tem baile no palco tradicionalista e nem existe mais casa da tradição (espaço é uma loja do Sindicato Rural).

CUSTO DO PAÇO

Há um bombardeio ao fato da prefeitura arcar com gastos como serviço de saúde, sapecada, recanto e etc. Porém, isso é o que está na licitação feita na administração anterior. Aliás, licitação que evoluiu muito perto do modelo anterior onde o Paço bancava tudo e a gente ficava no final só somando e combatendo o prejuízo que sobrava para a prefeitura. A solução para reduzir o custo ainda reinante é a nova licitação, que irá rever isso.

FESTA CARA

Outro discurso é de que a festa é cara e o lageano não vai. O público das primeiras Festas do Pinhão não vai mesmo. Daquela galera do início da década de 1990, alguns já morreram, outros como nós estão na meia idade ou na terceira idade. Festa não é mais nossa vibe. O público é outro. É de jovens na faixa de 15 a 30 anos. Pensar que um cidadão de 60 anos vai passar frio no Conta Dinheiro, ficar a madrugada caminhando nas ruas para ver show, só se viesse o Elvis Presley, mas como tem uns que dizem que esse cantor já morreu…

ENTENDAMOS

A festa é cara para quem não quer ir. Daí o discurso é fácil. Mas assistir Alok, Jerry Smith, Jorge & Matheus, Eduardo Gustavo, Munhoz & Mariano, tudo numa noite, não tem como pagar só 10 pila. Até porque, se fosse para fazer uma festa de 10 pila, a gente faz ideia de quem seria a atração.

AUDIÊNCIA NA CÂMARA

Como era esperado, a ‘audiência pública’ na Câmara virou bate boca. É que o conceito de audiência pública é outro. Você apresenta a situação, aponta como está e abre para sugestões que podem contribuir. Mas quando se promove um evento para bater nesse verdadeiro patrimônio de Lages, que é a festa, perde o sentido. Não soma. A quem interessa bater e combater a festa?

POR MENORES

Há críticas de que os hotéis não lotam, mas já se visualizou que há hotel que quase dobra o valor da diária nos dias do evento, forçando turistas a fazer bate volta ou ficar na casa de parentes e amigos.

PEDRADAS

Gaby e GDO se tornaram a Geni da música do Chico. Nas redes sociais e por parte daqueles que preferem o discurso fácil do combate, chegam a ver tais empresas como vilãs. Mas quem é o louco que aportaria R$ 10 milhões num evento sem certeza absoluta do retorno? Só a iniciativa privada que vive e entende disso.

POR FIM

O debate realizado na Câmara não vai somar para mudar o edital da futura licitação. Porque ao invés de ser algo propositivo (na linha do que fez Maurício Batalha, por exemplo), tornou-se algo acirrado, combativo, raivoso. Isso não ajuda. Sem contar que entidades que poderiam de fato contribuir se quer apareceram.

ASSIM

Faça-se a festa. Lages viva esses momentos. Mas sem a segurança de que teremos evento no futuro na envergadura daquilo que se testemunha atualmente. Porque, pelo jeito, o que alguns setores, principalmente da política, querem, é ver nosso maior evento transformado numa quermesse. E isso, ninguém merece!

Degladiações políticas para desconstruir o maior evento de Lages que, se mudar o modelo de realização, torna-se inviável!

Plateia da ‘audiência pública’ sem entidades ou instituições que realmente deveriam opinar sobre eventuais mudanças no modelo de realização do evento

Compartilhe

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *