Geral

Lages tem o lageanês e o madruguês

DIA DA RETOMADA DAS PELEIAS NO LEGISLATIVO LAGEANO. MAS JÁ VIVEMOS TEMPOS HOJE NOSTÁLGICOS…

A Câmara de Vereadores de Lages perdeu um pouco da graça. Depois que se mudou para um palácio na rua Otacílio Vieira da Costa perdeu aquele clima de ambiente mais aconchegante, de pessoas mais próximas das pessoas que frequentavam o lugar. Não havia assessores e daí o vereador enfrentava a prosa com o povo e colegas da imprensa na cara e coragem.

AMBIENTE

Hoje para ir além do espaço de visitantes só de gravata e olha lá. A sala do cafezinho, onde se acessava as melhores informações (que geralmente só vinham a público no diálogo mais descontraído com os vereadores), não existe mais. Bom eram os tempos idos. Bons foram os vereadores idos. Bons tempos.

TEMPOS DE HOJE

Atualmente o parlamento paroquiano virou uma caixa de tensão. De um lado um tchê respira errado e do outro vem bordoada. É muita tensão, embate. O foco é o descompasso dos passos no Paço. Tudo ficou muito sério e, por isso, não se leva tão a sério.

BONS ERAM OS TEMPOS

DE MADRUGUINHA

Dois dos meus melhores amigos, um deles o Procurador Jackson Carlos da Silva (atuando ao nível do mar em Itajaí) trabalharam nos bastidores da Câmara de Lages naqueles tempos onde tínhamos Lili, Madruguinha e vários outros ligados mais a atuação de bairro. Um desses amigos coletou termos que comumente Madruguinha, o saudoso vereador, utilizada em suas manifestações.

O MADRUGUÊS

Era um linguajar todo próprio, que, na sua simplicidade transmitia mensagem e se fazia entender. Duas dúzias de referências a gente compartilha para lembrar os tempos em que se legislava sem frescura e com representatividade significativa. Em negrito, com a palavra, o saudoso Madruguinha:

No meio de um discurso: “… foi a coisa mais linda nóis intregando os presente pras criança na páscoa, e ver aquele sorriso espantado no rosto dos pequeno”. (Sorriso estampado)

Popriedade. (Sempre utilizada dessa forma)

A dilapidação do matrimônio público. (Ainda se dilapida)

Sem sombra de dúvio (Sim… sem sombra de dúvida)

A promotora com isso girou muita confusão (sobre a liminar de uma juíza à época que causou confusão entre servidores).

Quando os médico viajeia, e os morto vão até o IPML (Ato ou efeito dos mortos andarem)

 “… porque tem muita muié que trabaia nas casa…”. (Verdade, tem mesmo)

Matar saudade dos antes queridos. (Defendendo limpeza dos cemitérios)

Não concordo, nem discordo, muito pelo contrário. (Sempre utilizado)

Homenageia um “monte de gente” e não nos homenageia. (Só os montes eram homenageados)

É algo simpresmente difícil. (Simples e difícil)

Dona Máuria! (Madruguinha chamava a Servidora Mauren)

“Quando a gente passa para a vida interna” (Vida após a morte).

Está sendo feita a terrapranage, pois as firma que visitemo são boa… (naquele tempo tinha firma boa)

“As pessoa riqueçe depois que entra na prefeitura” ( Naqueles tempos, é claro…)

A vida da sociadade. (Dava umas versões próprias a determinadas palavras)

O poder enconómico. (A pronúncia com acento agudo)

Essa é uma questãm importantíssima (Tem vereador que disse que em plenário era questãm, porque questãm refere-se a coisas do poder legislativo, ele até conhece e usa a expressão questão, mas afirma que essa não se deve usar no plenário. Que questãm complicada!)

Minha xênti! Tomaticamente! (do madruguês)

Os nossos foncionários. (Eram muito bons os poucos que havia)

Discursando: “porque eu fui até aquele lugar, visitar aquelas famílias. Eles estão morando num lugar invivível”.

Nós não samos inginorantes. (com certeza não!) 

No meio de uma fala: “Eles são pessoas lionáveis(até hoje não sei o que é isso)

“Estão nos debriando (E falou muito brabo ainda).

UM MADRUGUINHA

NO PARLAMENTO DE LAGES

Gabriel Córdova de Jesus é uma das gratas surpresas na nova safra de vereadores que atua a partir desta segunda-feira no parlamento lageano. Argemiro Madruga, o Madruguinha, foi seu tio avô. Naturalmente que os tempos são outros e o linguajar também, mas se herdou o estilo de atuação junto à comunidade do parente que atuou como vereador de 1989 a 2004, Gabriel Córdova terá uma boa carreira nas peleias da política.

“Tenho este sangue, de pessoas que deram sua parcela de contribuição pela cidade. Trago este espírito para trabalhar e ajudar a cidade”. Diz Gabriel Córdova, cujo avô, Vidal Madruga também foi vereador em Lages recentemente.

EM TEMPO

Observe-se que o ter dos ditos pelo saudoso Madruguinha não tem qualquer propósito pejorativo. Muito pelo contrário. Ideia é resgatar a simplicidade dos tempos em que a Câmara de Vereadores possuía representantes do povo cujas falas traduzia o linguajar mais popular. Madruguinha representou bem isso. E a gente o reverencia com respeito e saudosismo!

Compartilhe

1 comentário para: “Lages tem o lageanês e o madruguês”

  1. Que bom vc resgatar memórias deste tempo Edson. Só quem viveu a época de vereadores como Madruguinha, Lili, Paes, Nelson Campos, Ivan Magaldi, Aderbal Andrade, Pedrinho, Tozzo, entre outros, é sabedor de que a câmara de vereadores de Lages perdeu o rumo nas últimas legislaturas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *