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Nosso mundo nas lentes de Beto Castro

Por questão de respeito e reconhecimento ao esforço de quem se dedica a captar imagens do cotidiano da Serra Catarinense, ao termos acesso a fotos feitas pelo Beto Castro, músico, letrista e dos admiradores das lidas do homem do campo, fizemos contato pedindo autorização para compartilharmos com o público que acessa a página.

E…

Recebemos não apenas a concordância para compartilhamos suas impressões fotográficas das lidas, numa sensibilidade sem igual, como enviou-nos outras quase 100 fotos que carregam, cada uma, um simbolismo da vivência nos campos de cima da Serra.

ASSIM

Vamos compartilhar aos poucos, esses registros, inclusive com ensaios próprios sobre colheita de maçã, lida campeira, gente da nossa gente nesses rincões de meu Deus e paisagens típicas. Começamos com essa sequência de 12 imagens, da lida com o gado. Legendamos com algumas das músicas que ouvimos quando estamos nessas lidas.

Pluralizando os versos entoados pelo Grupo Quero Quero “uns cuscos brasinos aos trancos” no jeitão calmo de quem chega. Porque como canta Bada Castro, “na guarida a cuscada se alvorota, e os bois de bota encilhando a cavalhada”.

Da mesma letra de Elton Saldanha o registro de Beto Castro acima sugere “Na tarde em tons de aquarela, lembra um quadro do Berega”.

Que tal essa definição para o retrato? Uma silhueta é uma visão de um determinado objeto, ser ou cena que consiste no esboço e um interior sem características distintivas, com a silhueta geralmente sendo preta. 

Ainda do Elton Saldanha: “Um flete troteando alerta bufa e se nega pra os lados”…

Do Cristiano Quevedo: “O resfolego do pingo; O sono encima da encilha; Era um abraço a lo largo; Prá dois loco sem família”.

Dos Herdeiros do Contestado, como escreveu Elton, o Saldanha: “Ando cantando com as gralhas, lá no Rincão dos Pinheiros, puxando mula de carga, repontando boi franqueiro

Da letra do Rodrigo Bauer na interpretação do Chico Saratt: “Na casa velha que o progresso ameaça; restam os vultos de meus dias ternos…”.

Tem também Walter Morais, sobre o tinhoso do Cajuru: “Eu vou cortar as tuas garras, tu vai te dar mal na farra. Ninguém vai levar na marra o meu rebanho de oveia”

Um retrato de Vida de Gaúcho, que bem cantavam os Bertussi: “Lá coxilha a perdiz pia forte e na canhada o gado vai pastando”.

Do gaiteiro e cancioneiro Luiz Carlos Borges, a imagem lembra que:

“Noutras andanças topa as reses dos meus sonhos; Por um estreito corredor feito esperança; Algumas vezes sou tropeiro, outras sou tropa; Mas sempre guardo os bois de osso na lembrança”.

E sobre os nossos tropeiros de agora, até com camisa do time do coração, José Cláudio Machado já entoava:

“Irmão do gado ele se sente nessa hora; E o seu destino também vai nesse reponte; Igual a tropa nesse tranco estrada afora; Sempre encharcado de horizontes…”.

Ainda recorrendo aos versos de Elton Saldanha para a ilustração da imagem derradeira do post:

“Apeia na cruz da estrada

E o seu olhar se enfumaça.

Saca o sombreiro em silêncio

Por respeito à sua raça”.

***

SERVIÇO DESTE POST

Fotos: Beto Castro

Cenário: Coxilha Rica

Trechos de letras de músicas: Elton Saldanha, Rodrigo Bauer, Luiz Carlos Borges, Cristiano Quevedo e José Cláudio Machado

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