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Santos ou… Eram os Canozzi milagreiros?

Nativos destes pagos têm conhecimento de passagens históricas. Algumas bentas, outras sangrentas e assim por diante. Nesse caderninho  de registros, há um bem curioso. Talvez por disputa comercial, talvez por contenda passional, daquelas coisas amorosas e odiosas na virada do século passado, consta o episódio da morte dos Irmãos Canozzi. Que por sinal, irmãos não eram. Um caixeiro viajante originário de terras gaúchas, o empreendedor Ernesto Canozzi. Outro, seu fiel escudeiro Olinto Pinto. Ambos brutalmente assassinados há 117 anos.

ENTÃO, ASSIM

Sem entrarmos no mérito da crença popular que os colocou como irmãos (talvez maçons fossem) e também milagreiros (talvez santos sejam), o fato é que o mundo onde eles perderam a vida convive com duas realidades. De um lado a crendice que faz com que o jazigo onde estão sepultados seja o mais visitado no Cemitério Cruz das Almas e ainda o local onde se desdobrou a contenda com o duplo assassinato também receba peregrinos e curiosos. E do outro lado, o dar de ombros do poder público ao local.

A GENTE EXPLICA

A embosca, o pegar ditraição, o brutal assassinato do caixeiro e o ajudante ocorreu distante 4 km ali do acesso sul de Lages, no caminho pela antiga BR-2 em direção ao Escurinho, rota da Coxilha. No local onde os brutais daqueles tempos tiraram a vida ‘dos Canozzi’ estão erguidas duas cruzes pintadas em verde.

PRECES E GRAÇAS

Não importa o dia, mas sempre tem gente acendendo velas, rezando e colocando indicação de graças alcançadas. A quantidade de restos de velas confirma isso. Porém, o local está a esmo, sem uma referência, algo que indique o significado do local. Ou seja, a Fundação Cultural de Lages ignora isso e se quer uma placa, uma demarcação demonstra respeito, se não à crença, mas ao fato histórico e cultural.

ENTENDE-SE QUE…

Seria oportuno, correto e justo (e inclusive perfeito) que o local recebesse limpeza periódica. Na velha estrada se quer tem indicação de que há aquele ponto. Se fosse num outro país, ávido por tratar bem turistas e peregrinos, o local teria se tornado até uma rota. Tipo a ‘Rota dos canozzi’.

REGISTROS DO LOCAL

Comentamos o tema com o advogado João Matias, que entre uma audiência e outra opera uma Nikon, e ele fez registros do local que evidenciam a peregrinação e a falta de atenção naquele espaço bento ao relento.

A primeira vista do local com as duas cruzes em verde, coroas e o indicativo de que no local jaz os corpos dos ‘irmãos Canozzi’ que, como se sabem, irmãos de sangue não eram…

Vestígios de velas queimadas e imagens de santos indicam a frequência de peregrinos no local

Imagens de santos como de Nossa Senhora Aparecida integra o local místico na distância de 4 km a partir do acesso sul de Lages pela antiga BR-2

Placas indicativas de ‘graças alcançadas’ fixadas no túmulo de um dos assassinados no ano de 1902

Curiosos e devotos frequentam o local periodicamente. Tanto o espaço onde ocorreu os assassinatos quanto o túmulo no Cemitério Cruz das Almas

Fotos: João Carlos Matias

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