Geral

O assalto e a empresa de monitoramento

‘CONDENAÇÃO’ ANTECIPADA DA EMPRESA CAUSA PREJUÍZOS. E NÃO HÁ NADA CONCLUSIVO SOBRE O EPISÓDIO.

Sempre que surge notícia inconclusiva em relação a determinada pessoa ou empresa, recordamos o caso da Escola Base lá da década de 1990 em São Paulo. Os diretores, uma professora e o esposo foram acusados, sem prova, de abuso sexual contra as crianças que estudavam no local. A investigação e a propagação do caso por tabloides sensacionalistas da época (tipo as redes sociais de agora) deram proporção gigante à situação, levando os integrantes da escola a um verdadeiro linchamento social. A investigação prosseguiu e, ao final, restou confirmada a ausência de qualquer prática criminosa daquelas pessoas. A vida delas foi massacrada, a escola destruída e o caso entrou para a história como um dos maiores erros de pré-julgamento feito pela imprensa e sociedade no País.

PUXANDO PARA LAGES

NOS TEMPOS DE AGORA

A segunda quinzena de janeiro é marcada pelo verdadeiro massacre a uma empresa de vigilância e videomonitoramento em Lages. Aqui na página e nos grupos de conteúdo que participamos, temos observado – mesmo sem conhecer a empresa e seus diretores – que é preciso cautela. Muitos confundiram, atribuindo diretamente a prisão do proprietário como partícipe ao assalto na residência no dia primeiro do ano. Entretanto, como observamos, a ‘condução’ do empresário pelos agentes da DIC se deu por porte ilegal de arma. Sem relação direta da prisão com o assalto.

POSSE ILEGAL DE ARMA

Pelo que consta, nem se tratava do proprietário não ter porte de arma. Por ser dono de uma empresa de vigilância, precisa cumprir requisitos documentais para dispor do armamento. E uma das armas encontradas, ainda não estava com a documentação completa, caracterizando a não apresentação de posse da arma. E daí a condução pela DIC). Inclusive houve o pagamento de fiança e liberação do proprietário da empresa investigada.

O ASSALTO E A EMPRESA

Via de regra, as empresas de videomonitoramento não armazenam imagens de ambientes que monitoram. O fazem de um tempo mínimo de filmagens por causa do custo que seria ao proprietário do imóvel monitorado. Assim, os registros ou ficam com o contratante em sistema próprio na empresa ou residência, ou tais imagens são sobrepostas por novas filmagens. Foi o que ocorreu no assalto noticiado.

E…

Pelo que consta, não houve omissão de imagens em relação ao episódio. Elas simplesmente não existem. Apenas aquilo que foi recuperado e, inclusive, compartilhado com a DIC e publicado em redes sociais. O papel da empresa no contrato é monitorar e interferir imediatamente ao ser acionada pelo alarme ou chamada. E foi o que ocorreu no referido assalto. Daí, entre isso e o dono de uma empresa articular para cometer um assalto ou acobertar os bandidos, há uma diferença enorme.

ENTRETANTO

Desde que o episódio da investigação se tornou público, a empresa tem sido alvo de todo tipo de julgamento. Nem a cautela de não exteriorizar nomes, porque a investigação está em curso, foi tomada por boa parte dos opinadores de rede social. A empresa tem mais de 20 anos atuando em Lages. São mais de 2.000 clientes. Episódio do gênero causa abalo sem precedentes, com perdas de clientes e dano à imagem. Tudo por causa do pré-julgamento, sem que haja qualquer indício conclusivo. Inclusive a empresa segue prestando os serviços à família onde ocorreu o assalto. E agora?

A investigação tem sequência. Não há nada conclusivo, ainda. A DIC faz o trabalho que é pertinente ao tipo de caso. Mas antecipar julgamento (e condenação) é um risco tanto por parte de meios de comunicação quanto pelos opinantes em rede social.

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