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O que diz Merísio da gestão Moisés?

MERÍSIO FALA SE HÁ PARTICIPAÇÃO DELE NO GOVERNO DANIELA, OS IMPEACHMENTS CONTRA MOISÉS, SOBRE OS R$ 2 BILHÕES EM CAIXA NO GOVERNO E ELOGIA CARMEN ZANOTTO.

Gelson Merísio havia dito lá depois de perder a eleição por causa do efeito da chamada Onda Bolsonaro que que nos dois primeiros anos não se manifestaria sobre o atual governo. Passado o período, falou com o jornalista Paulo Alceu na NDTV. Alguns trechos da prosa:

Paulo Alceu – O que o senhor faria e que não foi feito em relação à pandemia em SC?

Merísio – Primeiro montaria uma equipe competente. Quem deixou a Saúde assim, especialmente na condução da pandemia, foi extremamente incompetente. Agora, com a Carmen Zanotto, que conhece o setor, que é uma pessoa que tem liderança sobre os secretários municipais, que pode conversar com os prefeitos, tem autoridade e assim poderemos ajustar o passo para que haja ações coordenadas. O que existia era uma desordem geral, onde o prefeito não sabia se caminhava para um lado, se caminhava para outro. Os hospitais não tinham protocolos claros.

Paulo Alceu – O senhor defende o lockdown?

Merísio – O lockdown é uma palavra que ficou proibida em Santa Catarina porque foi mal conduzido ano passado (abril e maio). Não havia necessidade de fechar locais que não tinham nenhum caso. Hoje não faria lockdown porque o pico já passou, mas precisamos de medidas restritivas que permitam que a rede hospitalar saia do colapso.

SOBRE OS IMPEACHMENTS

“Tivemos em meio a uma pandemia R$ 33 milhões que sumiram dos cofres públicos. E não estou culpando ninguém. Quem culpou foi a Assembleia Legislativa que abriu um processo de impeachment. Aliás, dois. E para ser justo, um deles fui contra desde o primeiro dia porque era mais um golpe que um processo necessário. No segundo, que está em curso agora, estamos tratando do desvio de mais de R$ 30 milhões para compra de respiradores. E olha que um ano depois não encontraram nem um mordomo para ser culpado. É impossível que simplesmente sumam R$ 30 milhões sem ter nenhum responsável. É o que parece estar acontecendo. É muito triste acompanharmos isso”.

Paulo Alceu – Está faltando dinheiro para Santa Catarina ou há dinheiro e não se sabe administrar?

Merísio – O que anuncia o Governo e o próprio Secretário da Fazenda (Paulo Eli) é que existem mais de R$ 2 bilhões em caixa. Vamos lá: Em 2020 foram investidos 14,1% em saúde do orçamento do Estado. Lá atrás fiz uma emenda que o gasto mínimo deveria ser 15%. Mesmo no ano mais recrudescedor da pandemia se gasta 1% a menos. Esse 1% dá o equivalente a R$ 300 milhões. Tenho certeza que esses R$ 300 milhões e mais os R$ 2 bilhões que estão em caixa deveriam ter sido investidos na saúde e isso evitaria mais de uma centenas de mortes por falta de protocolos, por falta de investimentos em hospitais que já existem.

SOBRE HOSPITAIS

“Continuamos com quatro hospitais novos fechados. Anunciar que tem dinheiro em caixa e ter gente morrendo, transferida para outro Estado, para o Espírito Santo, que mundo que é esse? Que Estado que é esse? Essa é Santa Catarina? É um tapa na cara do catarinense ver uma pessoa embarcar aqui num avião, chegar lá pegar uma ambulância, para ir morrer no Espírito Santo”.

Paulo Alceu – O senhor está colaborando com o governo de Daniela Reinehr?

Merísio – Eu não falei nenhuma vez com a Daniela depois da votação do impeachment. Eu não tenho nenhuma participação no governo. Eu não quero ter. Eu disputei a eleição, o Moisés e a Daniela ganharam. Eles têm toda a legitimidade de uma forma direta ou indireta para concluir os quatro anos. Tanto que estou aplaudindo a escolha que ela fez da Carmen Zanotto, que não tem nenhuma relação política comigo, ao contrário. Ela é próxima ao Jorginho Mello que, provavelmente, vai ser candidato a governador, que se tiver algum mérito é dele. Mas ela (Carmen) vai fazer um bom trabalho. Vão morrer menos pessoas em Santa Catarina, que iriam morrer se mantida a condição equivocada que não iria ser mudada.

Paulo Alceu – E qual a contribuição que o senhor pode dar a Santa Catarina além da crítica?

Merísio – Olha, oferecendo sugestões. Tenho feito isso, naquilo que é da minha função. Por exemplo, abrir e por em funcionamento os hospitais. Em Chapecó, Lages, Itajaí…

Paulo Alceu – Por que não são reabertos?

Merísio – Porque, eu não entendo. Porque dinheiro dizem que tem. E a receita do Estado vem crescendo, inclusive na contramão da crise na saúde pública.

Paulo Alceu – Seria o fato de reabrir e ter de manter reaberto pós-pandemia?

Merísio – Mas é evidente (que tem que manter abertos). Para isso eles (os hospitais) foram construídos. Não foram construídos para ficarem fechados e abrirem só na pandemia. Foram construídos para atender bem a população de Santa Catarina.

Paulo Alceu – Então estão segurando dinheiro?

Merísio – Daí sobra dinheiro em caixa. E se aplica só 14% no ano de pandemia quando, no mínimo que deveria se aplicar, era 15%.

Merísio dispara: “Governo não é banco. Não consigo entender como se anuncia R$ 2 bilhões em caixa. Quem tem que ter caixa é banco para emprestar. O governo tem que arrecadar e devolver para a economia da forma mais efetiva e necessária”.

Conteúdo exclusivo e completo da entrevista está nas redes sociais do Grupo ND – SC

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