Política

Alesc: Repercute multa da PM em protesto

Críticas duras às multas aplicadas pela Polícia Militar a manifestantes em Lages marcaram a sessão de terça-feira (1.º) da Alesc. Kennedy Nunes (PSD) denunciou as dezenas de multas de R$ 2.934,00 aplicadas aos manifestantes que protestaram contra um policial militar que invadiu a casa de alunas da Udesc que comemoravam o sucesso na apresentação de um trabalho de conclusão de curso de uma delas.

Assunto de Lages dominou debate na Alesc no primeiro dia de setembro

AGENDA COM COMANDO

“Os carros foram multados a pretexto de participarem de um evento sem permissão e usarem a buzina”, relatou Kennedy. Paulinha (PDT) e Marcius Machado (PL) concordaram com o colega. “Fiquei estupefata com as multas por buzina, a cobrança será feita ao Comando-Geral, temos reunião agendada com o comandante para tratar das agressões às mulheres. Não é um caso isolado”, afirmou a deputada Paulinha.

MARCIUS CITA DITADURA

“Uma discrepância multar manifestantes porque o policial invadiu a casa de estudantes. Sempre que tiver injustiça vou me manifestar, um desrespeito, uma arbitrariedade, ditadura. Ninguém pode se manifestar porque será multado, calem-se, porque serão multados”, ironizou Marcius lamentando o ocorrido.

DEPUTADA CHOCADA

Deputada Luciane Carminatti (PT) sugeriu um projeto de resolução para sustar as multas ilegais. “Fiquei chocada com essa informação e penso que podemos dar um salto maior, podemos propor um projeto de sustação dessas multas, os quarenta deputados, foi um flagrante abuso de autoridade, é fundamental que não se permita que esse tipo de ação continue”, postulou Carminatti.

JÁ AQUI EM LAGES

Comando da PM emitiu nota informando que apenas cumpriu a lei que proibia a realização do referido protesto, visto que esse tipo de ato somente seria possível com autorização. E por causa da pandemia está proibido. E que o policial militar acusado de violência contra as estudantes do CAV já estaria respondendo inquérito pelos atos.

JÁ A PREFEITURA…

Prefeitura de Lages que, em última análise, é que dá à PM essa autoridade para multar, por conta do convênio de trânsito, não emitiu nenhum comunicado. Silêncio na área que defende as mulheres e também no Paço. Afinal, as caneteadas da PM renderão, no mínimo, uns R$ 300.000,00 em arrecadação com as multas que vão para os cofres do município.

Silêncio na prefeitura. Nada em defesa daqueles que foram protestar por causa da violência contra as mulheres e ainda uma possível arrecadação de R$ 300 mil – ou mais – já que as multas teriam sido aplicadas a 160 veículos

O QUE A GENTE PENSA DISSO?

Nem 8, nem 80. Não tem como chegar aqui e dizer que a PM não pode aplicar a lei. Porém, no episódio faltou bom senso. A violência contra as estudantes gerou repercussão nacional. Soou que a ação da PM multando os protestantes foi mais corporativismo pela repercussão ao episódio que envolveu o PM. Não significa que foi isso, mas passou a impressão. Ficou feio. Até porque agora, multa dada, não tem volta. E recursos a tais multas só retardam cobrança.

MINISTÉRIO PÚBLICO

Só faltaria agora o Ministério Público querer castigar também os participantes do protesto, através de algum procedimento por não atender a norma sanitária da pandemia. Precisa-se de bom senso sobre o tema e não sair caneteando como fez a PM. Inclusive, depois que um integrante do Ministério Público em aula virtual em Lages apareceu dando gargalhadas após citar que, devido à pandemia, as mulheres “estão apanhando pra cacete”, procedimento castigando quem protesta seria um reforço à indiferença ao caso concreto de violência contra as mulheres protagonizada pelo PM.

É Lages, infelizmente, sendo Lages, quando o assunto é violência contra as mulheres. Lamentável!

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3 comentários para: “Alesc: Repercute multa da PM em protesto”

  1. Por esse motivo que geralmente gosto de suas matérias, tu foi imparcial, tu tem conhecimento jurídico, mas também tem “opinião humana”… Falta a outros blogs o entendimento jurídico na hora dos posts, fazem sensacionalismo, isso me deixa extremamente injuriado com as inverdades ditas nos demais blogs, as quais são por falta de vontade de pesquisar ou ouvir pessoas com conhecimento técnico na área, usam muitas vezes de um senso comum totalmente errado, dando opinião como se ela fosse prevalecer sobre a lei que diz totalmente o contrário…
    Creio que a não manifestação da prefeitura acontece, pois o chefe do gabinete de crise, até onde se sabe é a autoridade competente neste momento, ficou incumbido de comunicar as demais autoridades, ou seja, ele foi comunicado do protesto e não se manifestou contra. Mas algo ocorreu nessa situação de comunicação as demais autoridades e depois a bomba estourou com a chegada das multas.

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