AS CRIANÇAS SE SOMAM A OUTROS TRÊS IRMÃOS FORMANDO UMA FAMÍLIA DE 10 PESSOAS
Neste período de Natal de virada de ano, cinco irmãos acolhidos pelo sistema de proteção tiveram um presente que transforma toda uma vida: uma família. A adoção conjunta, sem separação, considerada atípica, foi oficialmente confirmada por sentença recente da Vara da Infância e Juventude da comarca de Lages. “Nosso ninho está bem cheio”, diz a mãe que tinha três filhos, maiores de idade e, agora, somam oito.
‘SABÍAMOS QUE SERIAM NOSSOS’
A certeza de que daria certo, a família adotante sempre teve. “Foi tudo muito rápido. Queríamos dois. Vieram cinco. Nós sabíamos que seriam nossos”, lembra. Os filhos mais velhos não apenas apoiaram a decisão dos pais como vibraram com a chegada dos novos irmãos. Unidos, participaram ativamente do processo de acolhimento, inclusive escolhendo os novos nomes das crianças. Todos têm a mesma letra inicial dos seus próprios nomes, como um gesto simbólico de pertencimento.
‘NÃO ERA SOBRE NÚMEROS, MAS SOBRE UNIÃO’
“Tudo com eles é melhor. A ida ao mercado ou à igreja é diferente. No carro, tocam outras músicas, as infantis”, destacam os pais ao lembrar que cada um dos cinco teve seu tempo de adaptação. Para eles, um momento importante na construção de outra parte da história de suas vidas. “Quando conhecemos a história deles, entendemos que não era sobre números, mas sobre união. Hoje somos dez, e nosso coração está completo. A maternidade e a paternidade são cheias de desafios, mas são fantásticas”.
Cinco crianças, todos irmãos e a coragem de um casal que, depois de criar três filhos legítimos, resolve adotar o grupo para o convívio numa mesma família.
DESAFIO DA EQUIPE DO JUDICIÁRIO
O processo envolveu uma busca extensa e cuidadosa. Por meio de busca, profissionais tentaram localizar pretendentes à adoção em Santa Catarina, em outros estados e até fora do país. Apesar dos esforços, nenhuma família havia sido encontrada até então. A mudança veio com a atuação sensível e técnica da equipe do serviço social do Judiciário. A partir da troca de informações, escuta atenta e análise de perfis, as profissionais, inclusive de outras comarcas, localizaram um casal que, embora não estivesse inicialmente vinculado ao processo, reunia as condições emocionais, afetivas e estruturais para acolher os cinco irmãos juntos, sem separações.
E…
“Foi um trabalho construído com muita responsabilidade e sensibilidade. Nosso papel foi aproximar histórias que precisavam se encontrar. Quando percebemos que aquele perfil podia dar certo, iniciamos o diálogo com muito cuidado. O resultado é o que vemos hoje, uma família que nasce do afeto”, explicou a assistente social Lilian Hack Hellt. Em 14 anos de atuação, esta foi a primeira vez que Lilian conduziu um processo adotivo com tantos irmãos, sem que houvesse separação. “Não esperávamos a colocação em uma única família, mas deu tudo certo e ficamos felizes em saber que todos estão bem e nosso dever foi cumprido”, concluiu Lilian.
IMPACTO PARA SEMPRE
“Este é um caso que demonstra o quanto o trabalho humano e qualificado faz diferença. A adoção de um grupo de irmãos, especialmente tão numeroso, exige coragem, compromisso e, acima de tudo, amor. É uma decisão que impacta vidas para sempre”, destacou o juiz Ricardo Alexandre Fiúza, responsável pelo caso. Neste ano que finda hoje, a Comarca de Lages encaminhou 10 crianças para adoção em quatro processos, sendo dois de entregas legais de bebê e outros dois de grupos de irmãos.
Juiz Ricardo Fiúza aponta que a adoção ‘é uma decisão que impacta a vida para sempre’
Com relato da bonita história da jornalista Taina Borges (NCI/TJSC)



