PORQUE HÁ MAIS DÚVIDAS QUE CERTEZAS E MENOS NÚMEROS QUE O ESPERADO, O ASSUNTO RENDE
Estava debruçado sobre os números apontados pelo presidente da CCO, Samuel Ramos, a respeito dos ‘gastos’ – que podemos considerar investimentos – na Festa do Pinhão. O colega Milton Barão se antecipou e divulgou os dados que o secretário Samuel compartilhou com ele. Ali consta uma totalização de despesas empenhadas pela prefeitura de R$ 1.980.421,44. Há ainda uma referência de que o Governo do Estado teria gasto R$ 1.999,972,65 com o evento.
ASSIM
Nunca antes na história da Festa do Pinhão o Estado ‘gastou’ com o evento. O que o governo sempre fez foi repassar recursos a título de patrocínio (e não foi diferente neste ano, constando a logomarca do Estado em todas as divulgações). Significa que o Estado recebeu pelo serviço prestado que foi a divulgação da sua marca no evento.
DADOS QUE RENDEM DÚVIDAS
Aliás, não são dados que rendem dúvidas, mas a ausência deles. Quanto a CDL faturou na Festa do Pinhão? Com esse dinheiro faturado no evento público foram pagas quais despesas? Sobrou alguma coisa? A sobra ficou com a CDL ou foi para os cofres do município? As mesmas indagações valem para a Acil. E os outros dinheiros que entraram (AME, Bally, Havan) custearam o quê? Quais foram as despesas da Festa em cachês no Recanto? Nas passagens aéreas? Na mídia divulgando o evento? Na Sapecada? Segurança? Banheiros químicos? Ornamentação do parque?
MAIS OU MENOS ISSO
É por causa dessas dúvidas que enchem a caixa de mensagens ponderando sobre aquilo posto. Considerando ainda que há números superestimados que nem precisavam ter sido divulgados porque dá impressão de enrolation. Tipo “cerca de 380 mil pessoas circularam por Lages durante os 17 dias de programação”. Isso significa que circularam os 180.000 lageanos e mais 200.000 pessoas ‘de fora’? Ou o lageano circulou duas vezes na cidade e mais 20 mil visitantes? Os R$ 90 milhões gerados pelo evento na cidade estão aonde?
ENFIM
Quando o balanço de um evento gera mais dúvidas – e mensagens questionativas – que certezas e aplausos é sinal de que ele nem deveria ter sido feito. Se a prefeita, com todo o crédito que tem (e isso não se questiona) declarasse que ‘a Festa deu boa para Lages e para a Serra Catarinense’, estaria resolvido porque é verdadeiro. A Festa foi excelente para a cidade e região e a organização tem todos os méritos. Agora se fazer um exercício para sustentar uma narrativa que gera dúvida, acaba por deixar o lageano com aquele pé atrás.
Os dados foram dados sobre a edição deste ano durante uma ‘coletiva’



