IMÓVEL QUE ESTÁ SENDO REVITALIZADO NA RUA CORREIA PINTO TEM 105 ANOS DE EXISTÊNCIA
É preciso respeitar a constante derrubada de uma ou outra casa antiga nos arredores do Centro de Lages porque a propriedade é sagrada e o dono pode fazer o quiser, quando não há impedimento, como nos casos de tombamento. Há, no entanto, alguns imóveis que estão protegidos pelo viés da preservação histórica, em processos que os tornaram intocáveis.
NESSE SENTIDO
Imóveis que marcaram diferentes períodos da formação da cidade estão em fases distintas de obras, elaboração de projetos técnicos, revitalizações e processos de proteção. As ações envolvem edificações tombadas pelo Estado, espaços culturais e patrimônios reconhecido oficialmente pelo Município, sempre com acompanhamento técnico da Fundação Cultural de Lages, do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (Compac) e também da Fundação Catarinense de Cultura (FCC).
EXEMPLO NA RUA CORREIA PINTO
Nascido em 1867 na Itália, César Sartori chegou a Urussanga em 1902. Três anos mais tarde, a cavalo, subiu os desfiladeiros da Serra do Rio do Rastro para ser o pioneiro na medicina em Lages. Era considerado o ‘médico pai dos pobres’ porque era tipo o SUS, atendendo a todos, indistintamente. No ano de 1921 passou a residir na casa que mandou construir na rua Correia Pinto. Para se ter ideia, a casa ficou pronta antes da Catedral Diocesana passar a celebrar missas. A edificação histórica passa por um processo de revitalização com acompanhamento dos órgãos respectivos.
A primeira imagem que se tem da casa pronta, nos idos da década de 1920 quando a rua Correia Pinto ainda era dotada de um modelo de arborização
Ainda daqueles tempos, a mesma casa em registro no sentido inverno da rua Correia Pinto, depois da poda nas árvores para não esconder as edificações
Ao fundo o movimento na frente da casa do médico César Sartori que veio a falecer em 1945 e teve a trajetória de atuação marcada por atender pobres e aqueles do período pós-escravizão, independente do poder aquisitivo. Não consta em registros se Sartori é um dos homens do retrato acima.
Aqui a mesma casa na rua Correia Pinto em tempos mais recentes na primeira metade da década de 1990 quando era prefeito de Lages outro médico, Fernando Coruja
Ao longo da história de 105 anos de existência, a edificação passou por algumas ocupações diferentes.
No contexto mais recente, o imóvel era sede de uma das unidades das lojas que são iniciais dos Vergutz Fernandes. As Lojas VF segue atuando no Calçadão Túlio Fiúza de Carvalho e a unidade da rua Correia Pinto agora está em processo de revitalização, seguindo diretrizes dos órgãos que cuidam do patrimônio cultural como FCL e FCC.
No registro, a imagem reporta ao tempo anterior à pavimentação asfáltica da rua Correia Pinto, na década de 1990.
O prédio apresenta características da arquitetura eclética e também integra o conjunto de bens tombados pelo Estado desde 2001.
A superintendente da Fundação Cultural de Lages e presidente do Conselho, Carla Zonatto, ressalta que cada intervenção ou processo de proteção segue critérios técnicos rigorosos:
“Todo trabalho envolvendo patrimônio histórico exige estudos, responsabilidade e acompanhamento permanente. A Fundação Cultural e o Compac atuam em cada etapa para garantir que as características originais dos imóveis sejam preservadas e que cada decisão seja fundamentada em critérios técnicos e de conservação patrimonial.”








