RESGATE HISTÓRICO DA PASSAGEM NO RIO URUGUAI ENVOLVE TAMBÉM LIDERANÇAS DE LONGA ATUAÇÃO EM LAGES
Entre SC e RS, um lugar marcado por travessias antigas, decisões políticas e encontros culturais volta a ganhar atenção. Localizado na divisa dos dois Estados, o Passo do Pontão, próximo ao marco zero do Rio Uruguai, tornou-se o centro de um movimento que une pesquisadores, lideranças comunitárias e instituições públicas em torno da valorização histórica, ambiental e turística. Mais do que recordar o passado tropeiro, a iniciativa busca transformar conhecimento em desenvolvimento, fortalecendo a integração entre municípios catarinenses e gaúchos.
PROTAGONISTAS
Conversando com a equipe do Jornal O Celeiro, a ex-vice-prefeita de Lages (1997 a 2000), Terezinha Carneiro, socióloga e professora, e o ex-prefeito de Lages, além de ex-deputado Federal e Senador, o arquiteto e empreendedor do agro, Dirceu Carneiro, ressaltaram que o trabalho é resultado da construção coletiva do Grupo de Cooperação Passo do Pontão SC/RS, criado a partir de estudos iniciados em 2012.
Dirceu e Terezinha Carneiro, que têm propriedade na região, e o apego ao resgate de uma história cheia de conteúdo interessante. O registro acima integra o portal da prefeitura de Campos Novos
CONTEXTO DA CRIAÇÃO DO GRUPO
Segundo Terezinha Carneiro, a mobilização começou em rodas de conversa sobre desigualdades regionais e oportunidades pouco exploradas fora dos grandes centros. A percepção de que regiões semelhantes haviam avançado economicamente ao valorizar seus diferenciais culturais e naturais levou à criação de um grupo de estudos voltado ao patrimônio histórico do território. O projeto cresceu e, em 2019, foi incorporado ao plano regional de turismo da AMPLASC, reunindo atualmente mais de 90 participantes entre voluntários, pesquisadores e instituições. O objetivo é estudar, preservar e divulgar elementos culturais e ambientais capazes de impulsionar o turismo e o desenvolvimento macrorregional.
VESTÍGIOS HISTÓRICOS
E POTENCIAL TURÍSTICO
Ao longo dos anos, o grupo passou a mapear locais históricos ligados às antigas rotas de passagem utilizadas por tropeiros e viajantes. Entre os exemplos estão áreas de moradia de antigos ocupantes da região, trilhas utilizadas no transporte de tropas e pontos naturais associados às travessias históricas. Um dos casos citados por Terezinha é o sítio onde viveu a pioneira Anna Maria de Matos, que arrematou o primeiro registro do Passo do Pontão em 1849. A proposta é simples: sinalizar esses espaços e permitir que visitantes compreendam a importância histórica do território
MARCO ZERO DO RIO URUGUAI
Outro eixo importante da atuação do grupo é a preservação ambiental. Recentemente, integrantes participaram de articulações para evitar a alteração da identificação da nascente do Rio Uruguai na região. A mobilização reuniu prefeitos, especialistas e apoio jurídico externo para demonstrar a legitimidade histórica e científica do reconhecimento já existente. Além da preservação territorial, o grupo também pretende ampliar ações educativas sobre recursos hídricos, qualidade da água e conscientização ambiental.
O Rio Uruguai surge a partir da nunção das águas dos rios Pelotas e Canoas na tríplice fronteira de três municípios. Ao fundo, na imagem acima, está a ponte da BR-470
PASSO DO PONTÃO NA REVOLUÇÃO
Outro episódio histórico reforça a relevância estratégica do Passo do Pontão ao longo do tempo. Segundo Dirceu Carneiro, durante a Revolução Farroupilha, quando os farroupilhas ocuparam o Passo da Santa Vitória, na Coxilha Rica em Lages, o comércio econômico do Império passou a ocorrer pelo Pontão, além das movimentações militares de tropas. Ele cita que o coronel Antônio Melo de Albuquerque, comandante de combatentes de Cruz Alta, atravessou o local em janeiro de 1840 para enfrentar Giuseppe Garibaldi, derrotando-o em Curitibanos, episódio que também ficou marcado pela prisão de Anita Garibaldi, posteriormente fugitiva.
A PONTE DA BR-470
Se o Passo marcou as travessias antigas, a ligação moderna entre os estados ganhou forma definitiva com a construção da Ponte Interestadual da Integração, inaugurada em 6 de junho de 1996. Dirceu Carneiro acompanhou diretamente os bastidores da obra, inclusive durante sua atuação no Congresso Nacional. Segundo ele, o projeto enfrentou resistências políticas e econômicas ao longo de décadas, principalmente por receios ligados à redistribuição de rotas comerciais entre portos. Diversos projetos rodoviários anteriores não avançaram até que a BR-470 finalmente fosse executada. Com o passar dos anos, a travessia consolidou-se como corredor logístico estratégico, conectando o interior aos portos catarinenses e ao polo petroquímico gaúcho.
O Marco Zero do Rio Uruguai com a ponte da BR-470 (rodovia que vai de Itajaí à Grande Porto Alegre) ao fundo. Essas águas resultam da junção dos rios Pelotas e Canoas
RONDA DA INTEGRAÇÃO
A valorização histórica também ganhou forma prática em junho de 2025, quando o município de Barracão sediou a primeira Ronda da Integração Tropeira Passo do Pontão, celebrando os 29 anos da ponte e reunindo lideranças culturais e institucionais dos dois estados. O encontro reforçou o diálogo interestadual e consolidou a proposta de transformar o movimento cultural em base para políticas públicas permanentes. Agora, uma nova edição está em preparação. A II Ronda da Integração Passo do Pontão deverá ocorrer em junho deste ano, envolvendo diretamente os municípios de Campos Novos e Celso Ramos, ampliando o alcance regional do movimento. “A ronda é cuidar das coisas preciosas. No nosso caso, é vigiar e proteger o patrimônio cultural e ambiental do interior”, resume Terezinha.
RBSTV fazendo reportagem sobre o Marco Zero agora no mês de abril em registros da página Barracão/RS – O Paraíso das Cascatas (por sinal, mais de 300 cascatas já foram catalogadas na referida cidade gaúcha)
Conteúdo que colhemos da Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Campos Novos e colaboração do Jornal O Celereiro





