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Acuado, Podemos se livra de Jair Júnior

PARTIDO FEZ AQUILO QUE HAVIA ‘EMPURRADO COM A BARRIGA’ PARA A EXECUTIVA NACIONAL

Era balela o discurso de que o Podemos em âmbito de Lages e Santa Catarina não poderia expulsar o filiado Jair Júnior, vice-prefeito da maior cidade da Serra Catarinense. Prova disso é que a informação do encaminhamento para a Executiva Nacional não sobreviveu à decisão do MP/SC de representar judicialmente contra o vice-prefeito por um conjunto de delitos no âmbito de violência contra a mulher. Em reunião às pressas no dia da notícia da formalização da denúncia, foi decidido e anunciado o encaminhamento de pedido formal de expulsão.

POSTURA É ENTENDÍVEL

Ninguém queira estar no lugar do deputado Lucas Neves numa situação dessas. O parlamentar não tem culpa e nem pode responder pelos atos de colegas de partido. Ademais, numa caminhada política você parte do pressuposto de que aqueles que o cercam têm bons propósitos e não causarão máculas na trajetória.

MAS…

De certa forma, pairava certa impressão de que se apostava no esfriamento do assunto. Porém, aquilo que ‘Jair Júnior plantou’ na construção de sua carreira política fazem com que o assunto não esfrie. E foi necessário cortar na própria carne. A decisão do Podemos não é uma antecipação de condenação, mas um livramento. A sigla se livra de manter uma liderança que causa desgaste em suas fileiras.O receio seria que essa presença contaminasse a imagem das demais lideranças. E quase um aceno no estilo: Estamos juntos… mas bem de longe!

“Temos que ser implacáveis, doa a quem doer”. É a pregação do deputado Lucas Neves (à direita na reunião conduzida pela presidente Paulinha do Podemos). Não é uma pregação por opção, mas por necessidade para que a caminhada própria não sofra arranhões maiores diante do ocorrido.

METÁFORA DO BOI DE PIRANHA E O VICE

Boi de piranha é uma referência à prática das antigas que, para atravessar um rio infestado de piranha, atirava-se à água um boi doente e sangrando. Enquanto as piranhas se alimentavam do animal sacrificado, o rebanho passava sem ser importunado pelas ditas. Jair Júnior nunca foi boi de piranha. Ele não tinha mácula, ferimento exposto, nada. A automutilação da imagem protagonizada o fez agonizar politicamente. Ninguém o jogou no rio (abandonando-o). Ele enfrenta as águas do mar da vida por comportamento que adotou e colhe os frutos do afoitismo e da inconsequência. O Podemos o expulsará porque, do contrário, o boi de piranha seria o partido, cujas lideranças corriam o risco de sair lanhadas do episódio. No caso, as lideranças do seu convívio, especialmente o deputado Lucas Neves.

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