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Ferrovia: Lages seguirá sem?

NA NOVA PROPOSTA DE CONCESSÃO NÃO HÁ PREVISÃO CLARA DE RECUPERAÇÃO DO TRECHO MAFRA-LAGES DO TRONCO SUL

Quando chegar fevereiro do ano que vem (2027), terminará o contrato de concessão do Tronco Sul que passa por Lages, perante a Rumo Logística. E embora não esteja operando, o sistema ferroviário está sob gestão da iniciativa privada. Daí a ANTT e a Infra S.A. têm seguido os passos previstos na legislação de concessão para um novo contrato por 30 anos. Quatro audiências foram realizadas e, embora o interesse maior seja na região central catarinense, onde está o maior ramal ferroviário, o debate sobre o tema foi realizado em Florianópolis (a última das quatro audiências públicas promovidas pela ANTT).

FATIAMENTO DESAGRADA SC

Aquilo que está projetado para a nova concessão, distribui os 4.200 km de ferrovias ‘administrados’ pela Rumo em três eixos ferroviários independentes. O mais lucrativo é o Corredor Paraná-Santa Catarina que, com 1.500 km, escoa fertilizantes, açucar, grãos e celulose, utilizando portos como Paranaguá (PR) e São Francisco do Sul (SC). Há o Corredor Rio Grande, rumo ao porto do mesmo nome de quase 900 km e o chamado Corredor Mercosul que pega um trecho no Paraná e, depois reinicia em Mafra, passando por Lages em direção a Vacaria, passando pela Grande Porto Alegre e, depois seguindo rumo à Argentina. Esse trecho soma 1.865 km sendo considerado deficitário.

O trecho que passa por Lages está na risca em vermelho, tem trecho no Paraná e vai até Uruguaiana/ES.

SEM PREVISÃO CLARA PARA MAFRA-LAGES

No projeto da nova concessão há trechos sem previsão clara de investimentos em recuperação da malha ferroviária sucateada. Um desses é o eixo Mafra a Lages, sem garantia, na proposta atual, da interligação (conexão) ferroviária com portos estratégicos como aqueles do norte catarinense e, muito menos, de Imbituba.

Na exteriorização dessa insatisfação catarinense, durante a audiência pública realizada em Florianópolis que debateu o tema, lideranças de entidades como a Fiesc, apontaram que a proposta de concessão manterá a dependência do transporte rodoviário por corredores já saturados de rodovias como as BRs 101, 470, 282, 116, entre outras.

O QUE QUER A FIESC?

A principal entidade empresarial catarinense apresentou na audiência promovida pela ANTT a sugestão para a ampliação do prazo de discussão e a revisão do modelo de concessão. O posicionamento foi apresentado pelo presidente do Conselho para Assuntos de Transporte e Logística da entidade, Maurício Battistella. Ele observou que:

“O material apresentado não considerou os portos de Santa Catarina, com exceção de São Francisco do Sul. Santa Catarina é hoje o segundo maior movimentador de contêineres do Brasil, e os planos apresentados não refletem essa realidade”.

Batistella (ao microfone) na audiência promovida pela ANTT sobre a nova concessão da malha ferroviária de Santa Catarina que desagrada o setor produtivo do Estado

LAGES AUSENTE NA AUDIÊNCIA?

Não. Lages não estava ausente. Embora tenha optado por não dar publicidade à presença, a prefeita Carmen Zanotto acompanhou as discussões sobre o tema na Fiesc. Inclusive porque a cidade está no aguardo da retomada do transporte ferroviário e isso somente deve acontecer depois da nova concessão. E isso se o novo contrato for interessante para a empresa que vencer o leilão a ser realizado para conceder os trechos de ferrovias do Sul do Brasil.

Sobre o interesse do assunto, a audiência pública na Fiesc sobre o assunto reuniu algumas autoridades, mas com espaços vazios no auditório. Já a audiência da ANTT sobre o mesmo tema em Porto Alegre, despertou o interesse de lideranças de vários setores, porque os gaúchos estão apostando muito na retomada do transporte ferroviário, como aponta o registro acima.

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