Geral

O esforço sobre a Festa do Pinhão

PREFEITURA DE LAGES SE ESFORÇA PARA ENALTECER A EDIÇÃO DESTE ANO DO EVENTO QUE FOI…DIFERENTE

À conta gotas a Prefeitura de Lages faz um esforço hercúleo para exteriorizar ao lageano o que foi o ‘sucesso espetacular‘ da edição deste ano do maior evento da cidade. Na informação oficial é pregado que:

“A proposta ousada de mudar o formato e os espaços de uma das celebrações culturais mais importantes da Serra Catarinense, de acordo com a turismóloga e secretária de Turismo, Ana Vieira, caiu no gosto do público”.

REFERÊNCIA À CONSTATAÇÃO

A análise oficial divulgada se baseia numa pesquisa feita por seis alunos do curso Técnico de Hospedagem da Escola Zulmira Alta da Silva. Eles aplicaram questionário a 477 frequentadores do evento. Não se duvida da pesquisa e tão pouco da capacidade de leitura técnica dos dados que apresentam a satisfação enorme dos entrevistados. Assim, considerando aquilo extraído da pesquisa, apenas pequenos retoques devem integrar edições futuras. Mas isso é mais preocupante que ‘comemorante’ porque a realidade não é bem essa.

ENTENDAMOS QUE…

Retirar o evento do parque Conta Dinheiro, colocando no Estádio, não é uma ideia ruim. Até porque se há um problema sem solução, resolvido esse problema está. É menos meio milhão de reais de gasto com locação do parque. Porém, tal qual no parque, nesse novo formato a Festa do Pinhão segue sem adesão da maior parte dos lageanos. E talvez isso a prefeitura precisasse focar para atrair o nativo, o público local. Tivemos dias de shows no Calçadão com menos de 100 pessoas na frente do palco (teve uma noite que contamos 74 pessoas assistindo o ‘show principal’). Independente de onde será a edição futura, isso precisa ser corrigido com atrações de maior apelo de público.

POTENCIAL E REALIDADE

“O que reafirma o potencial da festa como atração nacional e internacional”. É uma das frases da informação oficial ao se avaliar a aceitação do público ao modelo. Sim, o ‘potencial’ da Festa é uma coisa. A realidade é outra, confirmada na baixa adesão do turista, que é um dos fatores que agrega na movimentação econômica. Aquela frota de veículos de outras cidades tomando conta das ruas, as excursões com dezenas de ônibus, os hotéis 100% lotados (inclusive com tarifário diferenciado por causa do evento), a hospedagem alternativa. Essa muvuca não houve.

NÚMEROS DE PÚBLICO

É temerário falar em quantidade de público, até porque há várias interpretações. No Estádio, é informado que foram distribuídos 61.000 ingressos. Mas somente quarta-feira e sábado registraram público robusto, inclusive devido à chuva. Se considerar que em uma única noite, no passado, já se colocou 55.000 pessoas (pagando) no parque Conta Dinheiro, esse número no estádio (de graça) é relativamente pouca gente.

QUESTÃO DE PÚBLICO

Ademais utilizar a informação da PM de que durante 17 dias circularam 250.000 pessoas pelo Calçadão, é algo vago. Até porque, em dias sem Festa do Pinhão, pelo menos metade desse público circula pela principal praça de Lages. Além das Sapecadas e de shows como Elton Saldanha, Mano Lima, Os Filhos do Rio Grande, Cesar Oliveira & Rogério Melo e de Luiz Marenco, nos demais dias havia mais gente na rua coberta que na frente do palco.

AINDA A RESPEITO

É preciso pontuar que a Festa do Pinhão deste ano está longe de ter sido ruim. Pelo contrário. Além da pesquisa caseira que constatou a aceitação do público, testemunhamos o gosto do lageano pelo que viu. É preciso enaltecer o esforço da prefeitura que conseguiu fazer ‘o que deu’ e tivemos o evento. Mas ‘vender’ a edição como algo espetacular e deitar no berço esplêndido dos 90% de aprovação é um risco porque nosso maior evento está numa encruzilhada que os atuais gestores precisam encaminhar para o melhor rumo. Ou seja, não é um jogar de pedras no sentido de que nada foi bom. Mas uma provocação para melhorar porque Lages precisa da Festa do Pinhão forte porque isso repercute na economia e na estima das pessoas. Penso!

A imagem oficial do evento – distribuída pela prefeitura – aponta que o caminho optado por fazer os shows no Estádio é interessante. Mas se engessou tanto a liberação de ingressos (de graça), somado à chuva em dois dos cinco dias que o público ficou bem aquém daquilo que se esperava.

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