SC TENTA ALTERAR PROPOSTA DO GOVERNO FEDERAL PARA MELHOR UTILIZAR O MODAL FERROVIÁRIO, INCLUSIVE O TRONCO SUL QUE PASSA POR LAGES
O Governo Federal, inclusive em audiências públicas realizadas em SC, PR e RS, apresentou um modelo de concessão da malha ferroviária nos três Estados que não agrada. A concessão, a partir de edital a ser lançado, apresenta hipótese de subutilização da estrutura ferroviária existente, não atendendo os interesses econômicos para escoamento da produção especialmente em direção aos portos. Há um apelo para que o Governo, via ANTT, retarde as providências para que se intensifique o debate com apresentação de propostas alternativas.
E NESSE SENTIDO…
Para evidenciar que não se trata apenas de discurso a ideia de ‘propostas alternativas’, integrantes do CODESUL, o Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul, realizou reunião na residência oficial da vice-governadora de SC, Marilisa Boehm. Na pauta o anúncio da contratação de uma consultoria técnica que realizará um diagnóstico sobre a Malha Sul ferroviária, abrangendo PR, SC e RS. O estudo permitirá contrapor o projeto apresentado pelo governo federal.
SOBRE O ESTUDO
Coube ao BRDE formalizar o contrato com o consórcio licitado, o qual terá 10 meses para concluir os trabalhos. O projeto apresentado fica 25% abaixo daquilo que se constitui a malha ferroviária do início do século. “Isso demonstra que inexiste compromisso com o desenvolvimento ferroviário”, pondera Beto Martins que coordena o grupo de trabalho Ferrovias do CODESUL. O consórcio que realizará os estudos é formado pela Alvarez & Marsal em parceria com a EC Projetos e Machado Meyer.
Registro do encontro das lideranças na assinatura do contrato para a realização do estudo sobre a Malha Ferroviária Sul, tendo a vice-governadora Marilisa (com o documento na mão) como anfitriã.
ONDE ESTÁ LAGES NESSE CONTEXTO?
A proposta apresentada nas audiências públicas pela ANTT para a nova concessão (a atual termina em fevereiro do ano que vem), dividiu a Malha Ferroviária Sul em três lotes. Entretanto, é um modelo que desagrada porque não garante mobilidade para o escoamento de produção aos portos, através de interligação.
Em relação a Lages, o modelo prevê a manutenção do Tronco Sul, mas sem garantia de que haverá a retomada das operações do transporte, utilizando a malha ferroviária que passa pela Serra Catarinense. Daí a importância do estudo a ser feito pelo CODESUL, considerando um contraponto àquilo que está proposto.
Atualmente o transporte ferroviário está totalmente desativado no Tronco Sul, por causa das avarias na malha devido às chuvas no RS. Entretanto, independentemente da questão climática, a empresa Rumo Logística que detém a concessão até fevereiro de 2027 já vinha em um processo de descontinuidade das operações na estrutura que passa por Lages. Daí que o novo modelo de concessão pode reativar as operações ou sepultar de vez essa alternativa de logística de transporte que é bastante importante ao setor produtivo de SC, inclusive da Serra Catarinense.



